Profª Doutora Marina Dias Neto
Trombose venosa superficial ou profunda

Trombose venosa superficial ou profunda

A informação desta foi desenvolvida pela Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular (European Society for Vascular Surgery) a propósito da Trombose Venosa. A comissão é composta por especialistas de toda a Europa que analisaram a evidência científica disponível, permitindo formular recomendações para os profissionais de saúde. O documento foi também revisto por um grupo internacional independente de especialistas, que verificou se as recomendações estavam corretas e atualizadas.

Os detalhes completos não estão incluídos aqui, mas o leitor é encorajado a consultar a secção correspondente no documento integral ou a falar com o seu profissional de saúde para obter mais informações.

Trombose venosa é o termo médico usado quando se forma um coágulo de sangue numa veia.

O tipo mais comum é a trombose venosa profunda (TVP) da perna.

Aproximadamente 1 em cada 1 000 adultos desenvolve trombose venosa todos os anos. A maioria dos doentes com TVP esteve recentemente internada (trombose associada ao internamento) ou apresenta fatores de risco conhecidos. Contudo, em algumas pessoas não existe causa evidente — nestes casos, a trombose é chamada “não provocada”. Quando existe uma causa clara, é chamada “provocada”.

Quando se forma um coágulo dentro de uma veia, o sangue deixa de circular normalmente. Isso faz com que os tecidos drenados pela veia fiquem inchados e dolorosos. Os sintomas dependem das veias afetadas.

Após o início da trombose, as principais preocupações são:

  1. o coágulo pode aumentar, ou
  2. uma parte pode soltar-se e deslocar-se para os pulmões, causando uma embolia pulmonar — uma situação grave: até 10% das pessoas com EP não tratada pode morrer.

O tratamento da TVP visa sobretudo reduzir o risco de embolia pulmonar.


Os motivos variam entre indivíduos, mas geralmente os coágulos formam-se devido a:

  1. redução do fluxo sanguíneo na veia
  2. danos na parede da veia
  3. aumento da “aderência” do sangue, tornando a coagulação mais provável

Certas situações aumentam o risco, como:

  1. idade avançada
  2. imobilidade
  3. cirurgia recente ou internamento
  4. cancro
  5. gravidez
  6. pílula contracetiva ou terapêutica hormonal
  7. obesidade
  8. viagens prolongadas


A trombose venosa pode afetar qualquer veia, mas algumas são mais comuns.

A forma mais frequente é a trombose venosa profunda (TVP) das pernas. Cerca de 10% das TVP afetam as veias dos braços.

Também pode ocorrer trombose nas veias superficiais da perna (menos frequentemente, do braço) - trombose venosa superficial (TVS), também conhecida como “flebite”, “tromboflebite” ou “tromboflebite superficial”.

Apesar de diferente da TVP, a TVS pode progredir para as veias profundas e causar TVP e embolia pulmonar.

Trombose também pode ocorrer em veias onde exista um cateter/cânula.

Casos mais raros incluem trombose nas veias do abdómen, cabeça e pescoço.


Os sintomas típicos incluem:

  1. dor na perna
  2. vermelhidão
  3. inchaço da barriga da perna
  4. sensibilidade à palpação

Nos casos mais extensos, toda a perna pode ficar afetada.

A TVP do braço pode causar:

  1. braço inchado, doloroso e quente
  2. coloração azulada

A TVS provoca:

  1. veia endurecida, espessada, vermelha e dolorosa
  2. pele escurecida
  3. frequentemente ocorre em pessoas com varizes


O diagnóstico pode ser difícil.

Algumas características tornam a TVP mais provável, e recomenda-se o uso de um sistema de pontuação clínico (Wells score).

Os exames incluem:

  1. D-dímeros (análise de sangue)
  2. Ecodoppler das veias — recomendado como primeiro exame 

Em alguns casos, podem ser necessários estudos adicionais:

  1. repetir ecografia
  2. Tomografia computorizada 
  3. Ressonância magnética

Exames de rotina para despiste de embolia pulmonar, cancro ou alterações da coagulação não são recomendados para todos os pacientes.


O tratamento principal é medicação anticoagulante (“afinar o sangue”), que:

  1. reduz o risco de embolia pulmonar
  2. evita que o coágulo cresça

Para TVP provocada (causa clara):

→ 3 meses de anticoagulação

→ preferir DOACs (novos anticoagulantes orais) em vez de varfarina 

Para TVP não provocada (sem causa evidente):

→ risco de recorrência é elevado

→ prolongar o tratamento além de 3 meses

Para doentes com baixo risco, pode usar-se dose reduzida de DOAC.

Recomenda-se também:

  1. aplicação de meias de compressão dentro de 24 horas
  2. continuar a usar 6–12 meses para reduzir dor e inchaço.


Algumas técnicas tentam remover ou fragmentar o coágulo para prevenir a síndrome pós-trombótica, que pode causar:

  1. dor persistente
  2. inchaço
  3. descoloração grave
  4. úlceras venosas

Estas técnicas só são recomendadas para alguns doentes com TVP extensa. Não são recomendadas para TVP limitada à perna.


Depende da causa:

  1. TVP provocada: risco baixo se o fator desapareceu
  2. TVP não provocada: risco elevado → entre 25% e 50% terão nova TVP se suspenderem o tratamento

Por isso, pode ser necessário tratamento prolongado.


A TVS ocorre frequentemente em pessoas com varizes.

Para todos os casos suspeitos, recomenda-se ecodoppler venoso. 

Se o coágulo tiver mais de 5 cm, recomenda-se:

  1. 30 dias a 3 meses de anticoagulação consoante a proximidade às veias profundas.

Pessoas com varizes podem precisar de tratamento das varizes posteriormente.


Representa cerca de 10% das TVP.

As causas mais comuns são:

  1. cateteres
  2. “trombose de esforço”

Recomenda-se:

  1. 3 meses de DOAC
  2. não se recomendam tratamentos agressivos na maioria dos casos 


As trombofilias aumentam a probabilidade de coágulos. Algumas são hereditárias, outras adquiridas.

Para certas trombofilias de alto risco, recomenda-se medicação anticoagulante vitalícia para reduzir o risco de trombose venosa.


Algumas questões ainda não têm resposta clara:

  1. Qual o melhor percurso diagnóstico e terapêutico?
  2. Quem deve ser examinado para cancro ou embolia pulmonar?
  3. Como avaliar o risco de hemorragia ao iniciar anticoagulação?
  4. Quem deve receber terapias agressivas para remoção do coágulo?
  5. Qual o custo-benefício dos diferentes tratamentos?


A escala de Villalta e a sua interpretação para a síndrome pós-trombótica (SPT)

Cada variável recebe uma pontuação entre 0 e 3, que indica gravidade ausente, ligeira, moderada ou grave, respetivamente, sendo a pontuação máxima possível 33.

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Os conteúdos gerados por IA podem estar incorretos.


Sintoma Nenhum Ligeiro Moderado Grave
Dor 0 1 2 3
Cãibras 0 1 2 3
Sensação de peso 0 1 2 3
Prurido 0 1 2 3
Parestesias 0 1 2 3
Sintoma Nenhum Ligeiro Moderado Grave
Dor 0 1 2 3
Cãibras 0 1 2 3
Sensação de peso 0 1 2 3
Prurido 0 1 2 3
Parestesias 0 1 2 3
Pontuação de Villalta Interpretação
< 5 Sem SPT
5–9 SPT ligeira
10–14 SPT moderada
> 14 ou presença de úlceras venosas SPT grave

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