Trombose venosa superficial ou profunda
A informação desta foi desenvolvida pela Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular (European Society for Vascular Surgery) a propósito da Trombose Venosa. A comissão é composta por especialistas de toda a Europa que analisaram a evidência científica disponível, permitindo formular recomendações para os profissionais de saúde. O documento foi também revisto por um grupo internacional independente de especialistas, que verificou se as recomendações estavam corretas e atualizadas.
Os detalhes completos não estão incluídos aqui, mas o leitor é encorajado a consultar a secção correspondente no documento integral ou a falar com o seu profissional de saúde para obter mais informações.
Trombose venosa é o termo médico usado quando se forma um coágulo de sangue numa veia.
O tipo mais comum é a trombose venosa profunda (TVP) da perna.
Aproximadamente 1 em cada 1 000 adultos desenvolve trombose venosa todos os anos. A maioria dos doentes com TVP esteve recentemente internada (trombose associada ao internamento) ou apresenta fatores de risco conhecidos. Contudo, em algumas pessoas não existe causa evidente — nestes casos, a trombose é chamada “não provocada”. Quando existe uma causa clara, é chamada “provocada”.
Quando se forma um coágulo dentro de uma veia, o sangue deixa de circular normalmente. Isso faz com que os tecidos drenados pela veia fiquem inchados e dolorosos. Os sintomas dependem das veias afetadas.
Após o início da trombose, as principais preocupações são:
- o coágulo pode aumentar, ou
- uma parte pode soltar-se e deslocar-se para os pulmões, causando uma embolia pulmonar — uma situação grave: até 10% das pessoas com EP não tratada pode morrer.
O tratamento da TVP visa sobretudo reduzir o risco de embolia pulmonar.
Os motivos variam entre indivíduos, mas geralmente os coágulos formam-se devido a:
- redução do fluxo sanguíneo na veia
- danos na parede da veia
- aumento da “aderência” do sangue, tornando a coagulação mais provável
Certas situações aumentam o risco, como:
- idade avançada
- imobilidade
- cirurgia recente ou internamento
- cancro
- gravidez
- pílula contracetiva ou terapêutica hormonal
- obesidade
- viagens prolongadas
A trombose venosa pode afetar qualquer veia, mas algumas são mais comuns.
A forma mais frequente é a trombose venosa profunda (TVP) das pernas. Cerca de 10% das TVP afetam as veias dos braços.
Também pode ocorrer trombose nas veias superficiais da perna (menos frequentemente, do braço) - trombose venosa superficial (TVS), também conhecida como “flebite”, “tromboflebite” ou “tromboflebite superficial”.
Apesar de diferente da TVP, a TVS pode progredir para as veias profundas e causar TVP e embolia pulmonar.
Trombose também pode ocorrer em veias onde exista um cateter/cânula.
Casos mais raros incluem trombose nas veias do abdómen, cabeça e pescoço.
Os sintomas típicos incluem:
- dor na perna
- vermelhidão
- inchaço da barriga da perna
- sensibilidade à palpação
Nos casos mais extensos, toda a perna pode ficar afetada.
A TVP do braço pode causar:
- braço inchado, doloroso e quente
- coloração azulada
A TVS provoca:
- veia endurecida, espessada, vermelha e dolorosa
- pele escurecida
- frequentemente ocorre em pessoas com varizes
O diagnóstico pode ser difícil.
Algumas características tornam a TVP mais provável, e recomenda-se o uso de um sistema de pontuação clínico (Wells score).
Os exames incluem:
- D-dímeros (análise de sangue)
- Ecodoppler das veias — recomendado como primeiro exame
Em alguns casos, podem ser necessários estudos adicionais:
- repetir ecografia
- Tomografia computorizada
- Ressonância magnética
Exames de rotina para despiste de embolia pulmonar, cancro ou alterações da coagulação não são recomendados para todos os pacientes.
O tratamento principal é medicação anticoagulante (“afinar o sangue”), que:
- reduz o risco de embolia pulmonar
- evita que o coágulo cresça
Para TVP provocada (causa clara):
→ 3 meses de anticoagulação
→ preferir DOACs (novos anticoagulantes orais) em vez de varfarina
Para TVP não provocada (sem causa evidente):
→ risco de recorrência é elevado
→ prolongar o tratamento além de 3 meses
Para doentes com baixo risco, pode usar-se dose reduzida de DOAC.
Recomenda-se também:
- aplicação de meias de compressão dentro de 24 horas
- continuar a usar 6–12 meses para reduzir dor e inchaço.
Algumas técnicas tentam remover ou fragmentar o coágulo para prevenir a síndrome pós-trombótica, que pode causar:
- dor persistente
- inchaço
- descoloração grave
- úlceras venosas
Estas técnicas só são recomendadas para alguns doentes com TVP extensa. Não são recomendadas para TVP limitada à perna.
Depende da causa:
- TVP provocada: risco baixo se o fator desapareceu
- TVP não provocada: risco elevado → entre 25% e 50% terão nova TVP se suspenderem o tratamento
Por isso, pode ser necessário tratamento prolongado.
A TVS ocorre frequentemente em pessoas com varizes.
Para todos os casos suspeitos, recomenda-se ecodoppler venoso.
Se o coágulo tiver mais de 5 cm, recomenda-se:
- 30 dias a 3 meses de anticoagulação consoante a proximidade às veias profundas.
Pessoas com varizes podem precisar de tratamento das varizes posteriormente.
Representa cerca de 10% das TVP.
As causas mais comuns são:
- cateteres
- “trombose de esforço”
Recomenda-se:
- 3 meses de DOAC
- não se recomendam tratamentos agressivos na maioria dos casos
As trombofilias aumentam a probabilidade de coágulos. Algumas são hereditárias, outras adquiridas.
Para certas trombofilias de alto risco, recomenda-se medicação anticoagulante vitalícia para reduzir o risco de trombose venosa.
Algumas questões ainda não têm resposta clara:
- Qual o melhor percurso diagnóstico e terapêutico?
- Quem deve ser examinado para cancro ou embolia pulmonar?
- Como avaliar o risco de hemorragia ao iniciar anticoagulação?
- Quem deve receber terapias agressivas para remoção do coágulo?
- Qual o custo-benefício dos diferentes tratamentos?
A escala de Villalta e a sua interpretação para a síndrome pós-trombótica (SPT)
Cada variável recebe uma pontuação entre 0 e 3, que indica gravidade ausente, ligeira, moderada ou grave, respetivamente, sendo a pontuação máxima possível 33.
| Sintoma | Nenhum | Ligeiro | Moderado | Grave |
|---|---|---|---|---|
| Dor | 0 | 1 | 2 | 3 |
| Cãibras | 0 | 1 | 2 | 3 |
| Sensação de peso | 0 | 1 | 2 | 3 |
| Prurido | 0 | 1 | 2 | 3 |
| Parestesias | 0 | 1 | 2 | 3 |
| Sintoma | Nenhum | Ligeiro | Moderado | Grave |
|---|---|---|---|---|
| Dor | 0 | 1 | 2 | 3 |
| Cãibras | 0 | 1 | 2 | 3 |
| Sensação de peso | 0 | 1 | 2 | 3 |
| Prurido | 0 | 1 | 2 | 3 |
| Parestesias | 0 | 1 | 2 | 3 |
| Pontuação de Villalta | Interpretação |
|---|---|
| < 5 | Sem SPT |
| 5–9 | SPT ligeira |
| 10–14 | SPT moderada |
| > 14 ou presença de úlceras venosas | SPT grave |